Lígia


“A primeira vez que ele viu o céu foi exatamente às seis horas e cinqüenta e sete minutos depois do momento mesmo em que uma geração inteira se apaixonou por ele (...) Ele dá a conhecer seus desejos gritando alto no começo, depois chorando, se a primeira técnica não funcionar."
Trata-se dos primeiros dias de um astro do rock que tombou inerte 27 anos depois com um tiro de espingarda na boca. Parece estranho, mas são palavras de uma tia sobre o vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, ainda bebê.
O autor do livro, fez mais de 400 entrevistas, escutou milhares de fitas e teve acesso exclusivo aos 28 diários de Cobain. O resultado final é primoroso. Elucida muitas dúvidas sobre a conturbada relação do músico com família, amigos, sucesso e drogas.
O livro esclarece muito do misticismo e polemica trazido pela imprensa e dissolve a imagem psicótica de Kurt, mostrando um cara que viu a família ser despedaçada diante de seus olhos e que carregou consigo o peso de ser culpado pela separação dos pais, e do segundo casamento de ambos. A revolta e angústia geraram canções memoráveis e converteu jovens aos clamores do punk-rock, embora o próprio Cobain perdesse progressivamente o interesse pela fama.
Talvez o grande mistério e o motivo pelo qual penso que o livro é tão fascinante é que ele tinha sempre duas facetas que não poderiam nunca entrar em acordo. Mas dessa forma, é com todos nós. Quantos de nós vão à academia mas param para tomar sorvete no caminho para casa? Kurt levou isso a um extremo. É loucura e não faz nenhum sentido, mas é também uma fragilidade muito humana.
"Ele usava a escrita, a musica e a arte para expressar seu auto desprezo e com sua dor compunha canções".
Apesar de idolatrado pelas fãs e cá entre nós ele era lindo, com aqueles olhos hipnóticos, teria tido poucas mulheres e como ele mesmo disse a Courtiney Love, (ultima delas) que poderia contar suas mulheres com apenas uma das mãos.
Os músicos da banda testemunham também que ele era fiel a todas as suas poucas namoradas.
O livro é carregado de romance e contrasta com os gostos atípicos e bizarros do cantor, como a arte e animais de estimação, compartilhando esta última com Tracy, sua 1ª namorada, a garota de “About a Girl”
Uma de suas grande inspiração para compor foi o rompimento com uma de suas namoradas Toil Vail. Embora ela fosse 3 anos mais nova, ela era mais inteligente que ele, era baterista e tinha uma extensa coleção de discos de punk rock, que o fascinada. Mas ela tinha uma visão diferente dele sobre namoro “pra ela namorados era mais como um acessório de moda”, para Kurt, as namoradas seriam como sua mãe. Na época Kurt não era um astro de rock e havia gravado seu primeiro cd, “Bleach”
"Nos 4 meses que se passaram ao rompimento, Kurt escreveu meia dúzia das suas canções mais memoráveis, todas elas sobre Toil Vail"
Todas as canções falam de como Kurt tentou conquistar Tobi, mas ela não queria namorar, pelo menos, não com ele.
Eu particularmente prefiro o último de seus romances, com a polêmica Courtney Love, vocalista do Hole. O autor traça detalhes de como se conheceram e a grande luta dos dois contra a heroína.
Courtney tomou a iniciativa do flerte, O Nirvana tinha acabado de gravar seu primeiro disco e nem eram famosos ainda. Ele respondeu o flerte, agarrando-a e derrubou-a ao chão, onde se engalfinharam. Os dois se sentiram atraídos desde o primeiro momento. Mais tarde ele comentaria com um amigo “Conheci a garota mais legal do mundo”. Eles eram muito parecidos, desde a infância miserável de ambos e o gosto pelas drogas e pela música. No entanto ela era bem humorada e sem papas na língua, uma oponente forte para ele, e isso o enfeitiçava ainda mais.
Certa vez em um show do Nirvana transmitido pela tv, ele faz uma de suas declarações mais comentadas pelas tablóides de plantão “Eu só quero que todos aqui saibam que Courtney Love, do grupo pop Hole é a melhor transa do mundo”
No auge do vício em heroína ela engravida e começam uma longa batalha contra a droga. O crítico mais severo de Kurt sempre foi sua própria voz interior, e a gravidez fez com que sentisse uma das mais poderosas vergonhas da sua vida.
Embora tentasse por inúmeras vezes abandonar o vício, era uma tarefa difícil, e ele associava o vício também a sua misteriosa dor de estômago tão pronunciada em seu diário. Certa vez escreveu que iria se matar pra por fim naquela maldita dor. (mais era só mais um fator)
Quando sua filha Frances nasceu ele declarou em uma de suas poucas entrevistas “Segurar meu bebê é a melhor droga desse mundo”.
Embora dias depois estivesse entregue a droga novamente.
Mas tudo era muito pesado pra ele, ele era pai, casado, astro de rock com uma ascensão nunca vista antes E viciado em heroína. Além de carregar a sombra do passado que o assolava.
1 Response
  1. Leandro Says:

    Li todas as três partes e gostei de todas...

    Acho que dar a vida por alguém é a maior prova de amor que possa existir é como o amor de Jesus, mas acho que ele foi um pouco imaturo e já estava cansado da vida,e essa combinação foi fatal.