Lígia

Hoje fui ao centro de Curitiba, fazia algum tempo que não ia até lá.

Gosto de ir pro centro a pé, mesmo que as calçadas da nossa Curitiba estejam péssimas, mesmo que tenha que andar de cabeça baixa, cuidando com as pedras soltas, com os buracos sem aviso, com as valetas, com os carros estacionados nas calçadas.

Atravessar a Praça Ozório, escutar a melodia daquele músico triste e cego que continua tocando mesmo que ninguém pare pra escutar, mesmo que o seu chapéu continue vazio, mesmo que os seus olhos permaneçam mortos.

Gosto de ver as barraquinhas da feira, os hippies com seus eternos mostruários de brincos, as ciganas, convidando as moças pra “ler a sorte”, o pipoqueiro, o sorveteiro, o ônibus biarticulado abarrotado de gente. E não é que até na “minhoca de aço” achei poesia hoje. A única coisa, na qual jamais verei poesia são: AS POMBAS, nem vou entras nos pormenores pra não estragar meu post.

Passo pela Boca do Brilho e entro na Avenida cheia de quadros expostos, com seus cafés, inundando a rua suja com seu aroma. As mesmas turmas discutindo futebol, falando de política, de mulheres, da vida ou da morte de alguém, sobre o mundo.

Hoje, pela primeira vez, gostei daquele vai-vem da nossa gente. Por vezes ainda assusta-me a multidão, ninguém passeia pela Rua Quinze, passa-se rápido por ela desviando pessoas, recusando panfletos, pressa de chegar, pressa de voltar.
Hoje, não tive olhos para as vitrines, nem para as casas de cosméticos, eu observava o lugar e as pessoas. O velho conhecido, hoje era inédito aos meus olhos.

Percebo que o verão esta acabando, e o sol deixando de ser o protagonista principal e pode-se perceber que as folhas estão despendendo-se das arvores, o clima mais ameno e a paisagem menos extravagante, abrindo-se espaço para as bebidas quentes e favorecendo a introspecção.

Olho pra cima, pras casas restauradas, tão bonitas, poucos olham. Eu mesmo, o ano passado passava todos os dias pela praça e em nenhuma vez havia olhado para cima.

Vi uma vantagem em escrever, hoje vejo tudo com outros olhos, vejo música e poesia na praça velha, antiga, suja e cheia de pedintes, antes eu só tinha olhos para eles...
16 Responses
  1. aninha Says:

    nossa ta inspirada heim!!!!!
    ficou analisando a rua q realmente é terrivel d andar!!!! as casas os predios até os onibus!!!!! nossa...

    hahahahahhaha
    mais realmente os pombos não deveriam existir ainda vamos fazer um veneno p acaba com eles!!hahahah

    mais é isso ai liginha..
    td esta no mesmo lugar do mesmo geito so q são vistos d modos d pontos de vista diferentes... basta querer...e muitas vezes não queremos e assim eles passam... como quanque coisa...

    num vo coloca minha opinião a respeito da praça do centro...pq ..assim ..realmente...é uma coisa q so em extrema necessidade...ou caminho.....mais enfim...


  2. Maravilhoso...Passando para desejar um resto de noite inspirador e parabenizar a você pela linda postagem...bjos poetisa!


  3. Eu lírico Says:

    Linda a descrição do que vc vê e mais ainda do como vc sente o mundo...
    Seu olhar transformou a realidade numa poesia em prosa.
    Um abraço menina...
    Adoro suas visitas no meu blog sempre, elas sempre deixam uma energia ótima por lá.
    Glaucia


  4. Nathália E. Says:

    Eu adoro fazer isso aqui no centro do Rio de Janeiro.
    Mesmo que ele seja cheio de executivos apressados que contrastam com os mendigos. Mesmo sendo super perigoso, dependendo do lugar onde se vai. Eu adoro o centro da cidade. Me faz um bem que não dá pra explicar.

    Entendo perfeitamente o que você quis dizer. Incluindo a parte das pombas. Argh.

    Beijo!


  5. Luciana Saab Says:

    Querida, adorei a visita...vim espiar o relato sobre seu passeio, ótimo, é bem isso, corremos tanto e estamos tão acostumados com o que nos rodea que esqueçemos de "apreciar" essas coisas que fazem parte de nosso cotidiano e que muitas vezes contam grandes histórias!!!
    Bjoooo


  6. Anônimo Says:

    VC É DESSAS ENTÃO!??!?!

    Saudade!

    Bjo.


  7. Anônimo Says:

    QUE A TUA VIDA SEJA BELA E SUAVE

    Que a tua vida seja bela e suave
    como é suave o palpitar da brisa
    Neste instante de flor e de boneca,
    receba o meu beijo, cara Lígia.


  8. mas Curitiba não é a Cidade modelo??

    não entendi.rs


  9. Não conheço Curitiba.
    Tenho uma aimga q mora ai.

    Sobre o caso Isabella, não quero q seja da mesma forma q aconteceu com a Escola Base, em São Paulo. Lembra? Os donos foram acusados de molestar as crianças, a imprensa ficou em cima, os moradores depredaram a escola... Os donos foram presos e depois descobriram q a história era outra. Não passou de um mal entendido.

    As crianças, normalmente, tem uma imaginação muito fértil, e os pais interpretaram de uma forma tudo aquilo.

    Primeiro julgam e só depois investigam...


  10. Unknown Says:

    Me arrancou sorrisos nostálgicos seu post!

    A vida de gente grande é assim, sem tempo para nada, sempre correndo, sempre com pressa. Sempre atrasado. Sempre vazia!

    Gostei gostei!


  11. Jaque Says:
    Este comentário foi removido pelo autor.

  12. Jaque Says:

    Que post bonito!

    Esses dias de inpiração são ótimos. Parar pra observar as coisas ao seu redor... É como ver um filme, estar dentro dele... *viajando*

    Um beijo.

    (Pro caso de vc ter ficado curiosa: eu que excluí o outro post, tinha mandado pela metade.)


  13. Nathália E. Says:

    Uhú! Leitores \ó/
    (?)

    Então que eu tava pensando que se eu morasse em Curitiba ou então você no Rio, poderíamos ir no centro da cidade e caminhar de mãos dadas.
    Ninguém mais faz isso no mundo, só casais de namorados.
    Uma pena...


  14. Nathália E. Says:

    Parques e bosques?
    Nhoun *-*

    Preciso ir praí!


  15. su ellen. Says:

    - nossa, deu até vontade de conhecer Curitiba :)
    acho que num tem nada melhor do que esse dom de ver através das coisas Li!
    e é melhor ainda quando se consegue colocar em palavras, poder compartilhar é sempre bom!
    beeijo :*


  16. Adoro andar pelo centro da cidade aqui tb. A cidade é outra, mas o sentimento é parecido. De Porto Alegre, bjo.